A Rolinha e a Raposa

ilustração de uma raposa em pé no chão, olhando para cima e conversando com uma rolinha que está em seu ninho sobre o galho de uma árvore
Os contos populares fazem parte da tradição do povo e são passados de geração em geração. Nessas histórias, os animais falam e agem como gente, ensinando importantes lições sobre a vida.

Certa vez, uma rolinha estava feliz em seu ninho, lá no alto da árvore; acabavam de nascer seus cinco filhinhos. Até que chegou uma raposa embaixo e começou a gritar: 

— Estou com fome. Me dê um dos seus filhos para eu comer!

A rolinha respondeu:

— Dou não!

— Me dê logo!

— Dou não. Vá embora!

Afobada, a raposa ameaçou:

— Se não me der, vai ser pior! Vou cortar a árvore e, quando eles caírem, vou comer todos!

Com medo, a rolinha jogou um dos seus filhos para a raposa. Ela o comeu e foi embora. Muito triste e com pena do seu filhinho, a rolinha ficou chorando muito. 

Dias depois, a raposa voltou e tornou a pedir:

— Me dê um dos seus filhos para eu comer, rolinha!

— Dou não!

— Me dê, estou com fome!

— Não!

A raposa voltou a ameaçar: 

— Se não me der, corto a árvore e como todos eles! — disse, fingindo que estava cortando o tronco.

Com medo, a rolinha jogou outro dos seus filhos. Rapidamente, a raposa o engoliu e foi embora.

A rolinha caiu em pranto. O pica-pau, que passava por ali, viu e perguntou:

— Por que está chorando, rolinha?

— A raposa passou aqui e comeu meus filhinhos. Só restam três agora. Ela disse que, se eu não der outro para ela comer, cortará minha árvore e comerá todos de uma vez!

— É mentira! Ela não tem machado para cortar a árvore e seus dentes não são fortes o bastante pra isso! Ela está te enganando! — explicou o pica-pau.

A rolinha, chorando, disse:

— Não sei o que fazer! Ela vai voltar!

Então o pica-pau deu para a rolinha um saquinho com pó-de-mico e orientou:

— Quando a raposa vier e pedir seu filho, espere ela se aproximar do tronco; aí, você derrama nela este pó. Ela nunca mais aparecerá por aqui. 

A rolinha guardou o saquinho e esperou a raposa. No dia seguinte, lá vinha ela e já foi gritando:

— Rolinha, me dê um dos seus filhos. Estou com fome!

— Não vou te dar não!

E foi a mesma coisa de sempre: a raposa ameaçou cortar a árvore. A rolinha esperou que ela chegasse bem perto e, fingindo que ia jogar o filho, derramou o pó-de-mico inteirinho em cima da raposa!

Ela deu um pinote e saltou para longe, na maior agonia:

— Ai, ai! Que coceira! Ai que coceira medonha!

E a rolinha: 

— Você não sabe cortar árvore, sua malandra que comeu meus filhinhos!

A raposa caía no chão, rolava e se coçava desesperada:

— Coça muito! Ai, ai! Foi o pica-pau que lhe ensinou! Ele me paga! Ai!

Sem suportar a coceira, a raposa saiu em disparada e desapareceu no meio do mato. Nunca mais voltou para perturbar a rolinha, que pôde criar os seus filhos em paz.


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Explicação de algumas palavras que aparecem na história:

Afobada(o)- o mesmo que dizer irritada(o)


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