Na floresta, não se ouvia falar de outra coisa. O sapo, ao saber de toda história, ficou com muita vontade de ir também; queria de todo jeito participar da festa, mas como? Ele não tinha asas, então era impossível subir às alturas voando. O que o sapo mais desejava era conhecer o céu e saber como era a vida lá em cima das nuvens.
Como ele se achava um animal esperto e astucioso, precisava criar um plano para ir escondido, sem que as aves desconfiassem de nada. Aí estava ele andando pela floresta, quando encontrou o urubu e a andorinha conversando sobre a tal festa:
— E aí, Compadre Urubu, vai participar da festa que faremos? Vai ser lá no alto, no céu! — perguntou a andorinha.
— Mas é claro! Já fui convidado. Vou até levar meu violão para tocar a noite toda — respondeu o urubu, com voz mansa e pose de galã.
— Meus amigos João-de-barro e Dona Sabiá também já foram convidados. Sim! E o compadre Bem-te-vi e a sua mulher. E vão levar até as crianças — disse a andorinha.
Aí o sapo foi se aproximando, assobiando, fingindo que não estava interessado na conversa. Chegou e perguntou:
— Olá, Seu Urubu! Como vai, Dona Andorinha? Ouvi dizer que haverá uma grande festa no céu. Vocês foram convidados?
— Sim. Vai ser uma grande festa! Vai ter comida e bebida à vontade e, claro, músicas boas. Sem me gabar, mas sou eu quem vai tocar e cantar — explicou o urubu, estufando o peito com orgulho.
E o sapo:
— Também estarei lá. Fui um dos primeiros a receber o convite. Vou dançar a noite toda!
O urubu e a andorinha caíram na gargalhada:
— Como é que você vai, meu caro? Você é um sapo, não tem asas e não consegue voar como nós! — disse o urubu, zombando. — Vai de carona? Quem vai te levar?
— A festa é só para quem sabe voar! — explicou a andorinha.
— Pois fiquem sabendo que, mesmo sem asas, eu aprendi a voar! Só que vou mostrar apenas no dia da festa e vocês verão! — disse o sapo, todo confiante.
A andorinha insistiu:
— Meu amigo, desengane-se! Como você vai sair voando? Cadê as suas asas que não estou vendo?
— Aprendi a voar sem asas, acreditem ou não! No dia certo vocês irão me ver lá em cima! — exclamou o sapo.
O urubu e a andorinha já não aguentavam mais de tanto rir:
— Pois bem! Se aprendeu a voar mesmo, mostre pra gente — pediu o urubu.
O sapo, já meio nervoso, desconversou:
— É que ainda não estou bem treinado, sabe? Falta pouca coisa, mas até amanhã já estarei pronto.
O urubu, então, encerrou a conversa:
— Pois tá bom, no dia da festa quero te ver por lá! Agora tenho que ir, vou afinar meu violão.
— Também estou indo, vou hidratar minhas asas no salão da Dona Codorna, quero arrasar nessa festa! — disse a andorinha ao sair.
O plano do Jabuti
— Ah! Eles ficam zombando de mim só porque não consigo voar! Mas vou mostrar pra eles que mesmo sem asas chegarei no céu e todos irão me ver na festa! — disse o sapo zangado.
Aí ele pensou, pensou...até que teve uma ideia:
— Já sei! Vou entrar escondido dentro do violão do compadre Urubu. Quando chegar lá em cima, na festa, eu saio sem ele perceber, aí vão pensar que eu fui voando.
E havia chegado o dia da festa. Todas as aves se reuniram embaixo de uma árvore, para depois pegarem voo e subirem pro céu. Estavam os beija-flores, bem-te-vis, canários, pica-paus, tucanos, sabiás, rolinhas de todo tipo, corujas, estavam também o Compadre Gavião, a Dona Andorinha com seus filhos e mais um tanto de aves. E o sapo? Ele já estava escondido esperando a primeira oportunidade para entrar no violão.
E foi assim: enquanto o urubu estava na maior conversa com a garça, distraído, deixou o violão escorado numa árvore, era a oportunidade que o sapo tinha! Rapidamente escondeu-se no violão e ficou lá, quieto. Ninguém viu quando ele entrou.
Era a hora de todos irem, subir para o céu. Quando o urubu pegou seu violão, nem percebeu que estava mais pesado, pois estava de paquera com a garça e os dois estavam no maior papo. Aí...
A história continua na segunda parte. Clique abaixo e saiba o que vai acontecer quando todos chegarem na festa:
