Aqui está a segunda parte do conto "A Festa no Céu." Se você não leu a primeira parte da história, clique neste link: "O Sapo e a Festa no Céu" e acompanhe a aventura desde o começo.
Assim que chegou ao céu, sem que o urubu visse, o sapo pulou fora do violão e foi curtir a festa. Era tudo muito bonito, exatamente como ele imaginava que era o céu: as nuvens branquinhas pareciam algodão. Havia muitas aves dançando e cantando, e uma mesa enorme com todo tipo de comida.
Ao vê-lo, a andorinha foi logo conversar:
— Compadre sapo... como chegou até aqui em cima? Estou admirada!
— Pois é... pulando é que não foi! — respondeu o sapo.
— Deve ter vindo de carona com alguém. Quem o trouxe? Já sei: foi o gavião?
— Se você acha... vá lá e pergunte a ele! — disse o sapo, com um jeito todo orgulhoso.
Mas a andorinha teimava:
— Ainda não acredito nessa sua história! Sapos não voam!
— Bom... se a senhora não quer acreditar, não posso fazer nada!
Nesse momento, passava o urubu acompanhado da garça, e a andorinha o chamou:
— Veja quem está aqui, compadre urubu! O nosso amigo sapo! Ele diz que veio voando.
— Olá, meu amigo! Estou surpreso com sua presença! Mas me recuso a acreditar que o senhor chegou aqui, nas alturas, voando! — disse o urubu desconfiado — Como pode isso?! Um sapo que aprendeu a voar! O que mais me falta ver?
— Pois agora veja! Lá embaixo estava rindo de mim, não era? Agora estou aqui! Quem ri por último, ri melhor! — saiu o sapo, todo faceiro.
Ele aproveitou a festa: comeu, dançou, conversou com todos e estava se achando o tal. E era só o que os outros comentavam:
"O sapo veio voando!", "Ele aprendeu a voar!", "Mas ele não tem asas... como pode?"
Antes de a festa acabar, o sapo já preparou seu plano de fuga: entraria novamente no violão. Para isso, devia esperar o momento certo, pois o urubu estava tocando e cantando e não largava o violão.
O tempo passou e o show acabou. O urubu saiu para comer alguma coisa e deixou o violão sozinho. O sapo foi de mansinho e se escondeu lá dentro. Não demorou muito e todos já se preparavam para ir embora, pois o dia já vinha amanhecendo. O urubu pôs o violão nas costas e levantou voo, acompanhado por outros pássaros.
Acontece que, no meio do caminho, desta vez, ele sentiu o seu violão mais pesado. Algo estava errado. Havia tocado com ele a noite toda e não pesava nada. Resolveu balançá-lo e se assustou quando viu o sapo lá dentro:
— Então você veio escondido em meu violão! — disse o urubu, exaltado. — E ainda inventou aquela história toda de que aprendeu a voar para nos enganar!
— Eita, agora me dei mal! — lamentou o sapo.
O urubu sacudiu o violão com toda a força:
— Quero ver você voar agora!
O sapo foi arremessado e veio caindo pelos ares... caindo até que... poff! Bateu com tudo no chão. Foi um barulho alto. Os animais ouviram e correram para acudir o sapo, que ficou todo achatado.
Isso serviu de lição para ele nunca mais dar uma de penetra e ir a uma festa sem ser convidado. Dizem que, por causa dessa queda, até hoje o sapo tem o corpo mole e achatado.
Este foi o famoso conto popular da "Festa no Céu", contado por mim, do meu jeito! E, como diz o ditado: "Entrou por uma porta e saiu por outra; que quiser que conte outra."