Diz o ditado que o bem se paga com o bem, mas nem todos pensam assim. Leia este conto popular que fala sobre a ingratidão de uma onça, a ingenuidade de um homem e a esperteza de um macaco que soube colocar as coisas em seu devido lugar.
Uma onça havia caído em um buraco e não conseguia sair de jeito nenhum. Ia passando um homem, e ela pediu que ele a ajudasse a sair daquela armadilha. Com medo de ser devorado, o homem recusou; a onça, porém, insistiu:
— Me ajude a sair daqui, e juro que não lhe farei mal algum.
— Como posso confiar? E se, depois que estiver aqui fora, você me comer?
— Não, amigo! Dou a minha palavra, pode confiar! Ajude-me a sair — prometeu a onça.
O homem confiou na onça e então a ajudou a sair. Porém, quando ela já estava fora, saltou sobre ele e o agarrou ferozmente:
— Você vai ser meu jantar de hoje!
— Confiei em você e te ajudei! É isso que recebo em troca? Por favor, não me devore! Tenha piedade de mim! — pediu o homem.
— Foi a sua espécie que fez a armadilha para me pegar. Agora você será castigado!
— Por favor, não me mate!
— Vou lhe dar uma chance — propôs a onça. — Caminharemos e procuraremos três animais. Explicarei a história e, se cada um deles concordar que estou certa, eu o devoro. Se acharem que você tem razão, deixo você ir.
O homem aceitou a proposta e os dois seguiram caminho. Logo à frente encontraram um cavalo velho, magro e já sem forças. A onça então explicou toda a situação: contou que havia ficado presa em um buraco e que o homem ajudou ela a sair, mas que agora queria devorá-lo como pagamento. Em seguida, o cavalo deu seu depoimento:
— Quando era jovem, forte e saudável, ajudei o meu dono. Fazia todo tipo de serviço e não reclamava de trabalho algum que ele me mandasse fazer. E depois de velho e cansado, olha o que ganhei em troca: me abandonou, disse que não sirvo mais pra nada! O bem se paga com o mal.
O homem e a onça seguiram em frente e encontraram uma vaca. A onça explicou toda a história anterior e a vaca deu sua opinião:
— Passei a vida inteira servindo a meu dono. Todos os dias ofereci meu leite. No fim, fui levada ao matadouro, para que vendessem minha carne. O bem se paga com o mal.
A esperteza do macaco
Faltava apenas mais um bicho. O homem muito triste e sem esperança de escapar, seguiu com a onça e logo encontraram um macaco. Ela explicou:
— Caí em uma armadilha e não consegui sair. Este homem me ajudou. Agora quero devorá-lo.
E o macaco respondeu:
— Mas ele não te ajudou? Por que você quer castigá-lo dessa maneira? Não deveria agradecê-lo?
— Não! Pois a armadilha foi feita por um homem, justamente para me pegar!
— Estou muito admirado, comadre onça! Como um animal tão forte e grande como a senhora foi pedir ajuda a um homem bem mais fraco para sair de um buraco? Não estou acreditando nesta sua história não!
A onça ficou brava:
— Pois foi verdade. Foi ou não foi? — perguntou a onça ao homem.
E ele, todo desanimado, confirmou:
— Sim, foi verdade.
— Mas só acredito vendo com meus próprios olhos! — disse o macaco, piscando para o homem.
— Ora! Não acredita em mim? Pois vou lhe mostrar! — disse a onça, muito zangada.
Os três foram até a armadilha onde ela havia caído.
— Preste atenção, vou mostrar como tudo aconteceu — disse a onça, pulando dentro do buraco.
— Agora, tire-me daqui para que o macaco veja que não sou uma mentirosa! — pediu ela ao homem.
O macaco caiu na gargalhada:
— Tirar o quê? Fica aí bicho ruim! Assim você aprende a não ser ingrata! O bem se paga com o bem.
E assim, o homem e o macaco foram embora, deixando a onça presa novamente, que se maldizia de tanta raiva.
Moral da história:
Nem todos retribuem o bem com o bem. Por isso, é importante agir com bondade, mas também com prudência ao confiar nos outros.