Era uma vez, numa casinha simples, daquelas feitas de barro ou pau-a-pique. Nela morava um rapaz véi que nunca namorou com mulher, muito menos se casou ou teve filhos. Vivia sozinho, em sua humilde casa à beira de uma estrada de terra, e assim era feliz.
E o nome dele? Chamava-se Benedito, nome pelo qual era conhecido nas redondezas.
Benedito tinha o costume de ficar até tarde da noite na janela da sua casa, olhando o quê? Não sei. Talvez o luar, as estrelas, a estrada, onde era difícil passar alguma coisa, ainda mais de noite. Mas isso era o que ele mais sabia fazer: ficar na janela todas as noites, observando as coisas.
Até que, certa noite, lá pela meia-noite, Benedito viu passar pela estrada umas pessoas levando um caixão. Vixe! Era um enterro. Mas de quem? A essa hora? As pessoas iam cantando um louvor, outras chorando e se lamentando.”
Benedito matutou e pensou:
— Oxenti, um enterro? Quem foi que morreu? Não tenho nada pra fazer, vou acompanhar esse povo.
Mas o estranho é que Benedito nunca conseguia acompanhar as pessoas, de maneira alguma! Por mais que corresse, elas sempre estavam mais adiante. Esquisito isso, não acha? Até que, ao chegar numa curva mais coisada, quer dizer, fechada, tudo se aquietou. Benedito não escutava mais nada: ninguém cantando, ninguém chorando, ninguém se lamentando. Tudo se calou misteriosamente.
O mais intrigante e assustador vem agora: pois deixaram o caixão do defunto no meio da estrada! Vixe Maria! Se fosse eu, já saía correndo, todo me tremendo de medo. Mas Benedito não. Não tinha medo, ô home de coragem!
Aí ele pensou:
— Oxenti, cadê as pessoas? O povo sumiu tudo e deixou o caixão aqui no chão... Vou pra casa também! Mas deixa eu só olhar quem é a pessoa que tá dentro. Quem sabe eu conheço.
Quando Benedito abriu o caixão, sabe o que tinha dentro? O felecido! Não! Tinha era ouro! Muitas moedas de ouro! O caixão estava cheinho. Benedito tinha ficado rico. Pois era uma botija. Testaram a coragem de Benedito, e agora tudo aquilo era dele.
Benedito teve o maior espanto e quase caiu de tanta alegria! Arrastou o caixão pra dentro de casa, guardou tudo e não contou nada pra ninguém. Ele não era nem besta.
O que dizem é que Benedito se mudou para bem longe, comprou uma mansão e até conseguiu se casar com uma mulher bonita. Agora ele era rico, não é mesmo? E, como o povo costuma dizer: feiura se cura com dinheiro. Pois é, agora acho que é mesmo... Haha!
Agora sou eu que fico pensando: se Benedito tivesse ido embora sem abrir o caixão, não teria ganhado a botija e tudo tinha sumido. O ouro era pra ser dele, então só ele que viu toda a marmota da assombração. Era tudo coisa do outro mundo e veio para testar se o cabra tinha coragem de verdade e viram que sim!
Fim da história. Quem gostou, guarde na memória; quem não gostou, que conte outra história.